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sábado, janeiro 10, 2026

Superações

 

Ao longo da vida, o autor esteve diversas vezes diante de si mesmo. Em alguns momentos, por escolha; em outros, por imposição das circunstâncias. Nunca se orientou por planos rígidos. Preferiu seguir os caminhos que surgiam, mesmo quando estes não ofereciam garantias ou boas perspectivas.

Durante anos, o álcool fez parte desse trajeto. Inicialmente percebido como companhia, transformou-se, com o tempo, em um fardo. A interrupção do consumo revelou um desafio maior: lidar com o que vinha depois. O silêncio, as memórias e os erros tornaram-se mais evidentes. A vida sem anestesia exigiu atenção constante.

No percurso, relações afetivas ficaram pelo caminho. Algumas começaram de forma promissora, outras foram intensas, e houve aquelas que apenas foram possíveis dentro de um determinado contexto. Nem todos os términos ocorreram por ausência de sentimento. Muitos aconteceram pela incapacidade, naquele momento, de sustentar e cuidar dos vínculos. Hoje, não há ressentimento. Cada relação deixou marcas distintas: aprendizado, limites, afeto e, em alguns casos, saudade.

Também ocorreram afastamentos familiares. Não por conflitos explícitos, mas pelo acúmulo de silêncios e questões não verbalizadas. O tempo passou, e as distâncias permaneceram. A experiência trouxe a compreensão de que nem tudo se resolve e de que algumas histórias seguem sem um desfecho conciliador.

Em etapas mais recentes, surgiram novas interrupções impostas pela vida: exames médicos, diagnósticos e a espera por um transplante. Esses períodos provocaram uma mudança de perspectiva. Detalhes antes ignorados passaram a ganhar relevância, o modo como as pessoas se expressam, a percepção do tempo mais lento e o valor das coisas simples.

O relato não se propõe a ensinar ou moralizar. Trata-se de um registro, semelhante ao de quem documenta uma viagem para não perder a memória dos caminhos percorridos. O passado não é idealizado, tampouco negado. É reconhecido como parte fundamental da trajetória até o presente.

Ao final, o autor não se define como alguém que venceu. Define-se como alguém que atravessou. Com erros, perdas e amores deixados pelo caminho, mas também com os aprendizados que cada experiência proporcionou. E isso, por si só, já constitui uma história digna de ser contada.


Morro da Coroa (Lagoinha do Leste): Cenário mais icônico. A famosa "pedra do surfista" Florianópolis 


sexta-feira, maio 23, 2025

Um Mês com Outro Figado

 



Por Eloy


 Nunca pensei que, nessa idade, estaria dizendo isso: faz um mês que recebi um novo fígado. Um mês desde que abri os olhos depois da cirurgia e soube que tinha sobrevivido. Estava fisicamente muito bem antes da operação, mesmo com o hepatocarcinoma. Não sentia sintomas, andava, raciocinava, escrevia. Mas dentro de mim havia algo me ameaçando em silêncio.

A espera foi longa. Entrei no hospital com a coragem que me sobrou e a certeza de que meu caminho agora era só meu. Às vezes, o medo afasta as pessoas. Levei minha fé comigo e o apoio de um casal de filhos, meu genro e de minha companheira que permaneceram. Isso bastou.

Quando acordei da cirurgia, tudo era outro tempo. Os dias passavam lentos no hospital HU. Os remédios me deixavam confuso, fraco, nunca irritado. A dor era suportável, mas o cansaço era constante. Cada passo era um desafio. Cada banho, uma vitória. Mas eu estava ali. Vivo.

Lembro do barulho das máquinas, dos passos dos enfermeiros, das luzes frias da UTI. Às vezes me sentia uma ilha. Outras vezes, sorria sozinho, lembrando do cheiro do café, do céu azul, de uma boa gargalhada. Coisas pequenas que pareciam impossíveis há pouco tempo.

Agora, um mês depois, a cicatriz ainda arde. O corpo continua negociando com os medicamentos. Mas há algo novo em mim: um pedaço de outra vida que veio me dar mais tempo. E isso é sagrado.

Hoje não peço certezas. Não peço explicações. Só agradeço. Por este dia. Por cada manhã.

Por ainda poder escrever.




quinta-feira, março 13, 2025

Estado Alterado de Consciência


Desde que vocês desceram das árvores e começaram a andar sobre duas pernas, carregam uma inquietação na alma: a necessidade de alcançar um "estado alterado de consciência". Querem escapar dos limites da carne, do peso do tempo e da solidão de serem humanos em um universo que se recusa a revelar seus segredos.

Eu vi os primeiros Homo sapiens mastigando raízes alucinógenas sob a luz das fogueiras, dançando até o amanhecer para conversar com deuses invisíveis. Observei os xamãs beberem chás que rasgavam o véu do mundo, trazendo mensagens dos antepassados e dos espíritos da floresta. E vi algo ainda mais sombrio: o êxtase do sangue. No primitivismo, a consciência era alterada também pelo sacrifício no fogo — homens, mulheres, crianças e animais eram oferecidos aos deuses, numa entrega que mesclava terror e transcendência. Em meio a esses rituais, muitas vezes surgia o ópio como uma forma de anestesiar as dores da existência. O sofrimento e a morte se tornavam pontes para outra realidade, um transe violento onde o espírito se despregava do corpo e tocava o desconhecido.

Hoje, trocaram as cavernas por bares iluminados a néon; as ervas sagradas, por drinques amargos; os tambores ancestrais, por raves e playlists do Spotify. Já não imolam corpos nos altares, mas continuam a se destruir — de formas menos ritualizadas, mas igualmente desesperadas.

A modernidade lhes deu conforto, mas não respondeu ao vazio que lateja no peito. Então, seguem navegando em barcos furados: o álcool, a pior de todas as drogas, que queima a garganta como um falso abraço; o cigarro, que afoga em nuvens efêmeras; o sexo e a masturbação, que viram fuga em vez de encontro. Há quem roube não por necessidade, mas pelo prazer frio de sentir algo — nem que seja o tesão de ser pego. Outros jogam suas vidas em jogos do Tigrinho e de pôquer, como se o azar do dado pudesse preencher a sorte que falta por dentro.

E, no meio desse furacão de vícios e desesperos, vejo a maconha flutuando como uma folha verde no rio. Não é santa, não é demônio. É apenas uma planta medicinal que acalma, distrai e, às vezes, ilumina — mas que, como tudo na vida, pode ser usada para fugir da jornada, em vez de contemplá-la. Comparada aos pervintins, e à lança perfume trazidas pelos militares na ditadura, ou ao crack e à cocaína, que corroem ruas e almas, ou ao álcool, que mata e transforma lares em campos de batalha, ela parece um desvio mais suave, menos nocivo.

No fim, talvez sejam todos viajantes clandestinos, buscando esse estado alterado de consciência para um céu que não existe. O que muda é o mapa: alguns tomam ayahuasca na selva, outros apertam um baseado na janela do apartamento. Porém, a pergunta que nunca cala não é sobre a substância, mas sobre vocês mesmos: para onde querem fugir? Ou melhor, que parte de vocês ainda não conseguem encarar de frente, sob a luz crua do dia?

A Terra já não é a mesma, mas o homem — ah, o homem! — continua a mesma criança assustada, acendendo fogueiras na escuridão, tentando encontrar sentido na fumaça. Eu sei. Eu sempre estive aqui. Eu vi.

Eloy Figueiredo 





quinta-feira, março 06, 2025

Sombras no Quintal

O Peso


Morro da Lagoa da Conceição – Agosto de 2003



— Alô, Jesus? Aqui é a Heliana. Escuta bem o que eu vou te falar: o Victor não é teu filho. O Victor é filho do teu pai!

A frase caiu como um trovão. Jesus ficou em choque, sentindo as bases de sua vida desmoronarem.

Lembrou-se, como se fosse ontem, de uma noite na década de 70. Voltava para casa bêbado, como de costume, no último ônibus da linha Vila Cecília/Viamão. Mas aquela noite era diferente. Não brincava, falava ou ria como geralmente fazia. Estava calado, absorto em pensamentos.

O ônibus não estava cheio, mas quase todas as poltronas estavam ocupadas. Ele se sentou logo após a catraca. De repente, risadas e gritos vieram do fundo do veículo. Um grupo de jovens o chamava de “corno”, debochando sem pudor. Ele fingiu que não era com ele, fechou os olhos e tentou parecer que dormia.

Quando desceu no ponto, ouviu novamente:

Corno!

Mais risadas.

O sangue ferveu, mas ele pensou: Capaz que sou corno! Minha mulher, a Heliana, é super caprichosa, cuida tão bem das nossas duas filhas, da casa. Nunca sai de casa. Isso nunca poderia acontecer. E o meu pai... Passa o dia lá, plantando no quintal... Só não lembro exatamente o que ele planta.

Os dias passaram, mas as provocações martelavam sua cabeça. Incapaz de ignorá-las, Jesus contou a Heliana o que aconteceu no ônibus. Assim que terminou, ela empalideceu e disse, quase em pânico:

Nós vamos embora daqui!

Heliana entrou em contato com o tio Tobias, que tinha um caminhão de mudanças. Em poucos dias, a família se mudou para a casa dos pais dela.

O novo lar era precário. Uma das paredes estava inacabada, aberta para o céu. O pai de Heliana, Seu Noé, improvisou um quarto para eles, fechando parte de sua oficina de ferreiro. Passava os dias entre a marreta, ferros em braza a bigorna e a cachaça.

Heliana odiava o pai profundamente. Quando ele bebia e brigava com a mãe, ela o enfrentava com unhas — e até cuspidas. Era uma relação marcada pelo rancor e pelo ódio ao pai alcoólatra, a mesma enfermidade que acometia Jesus.

Certo dia, ele ouviu Heliana conversando com a mãe:

Estou grávida de novo.

A mãe, resignada, respondeu:

Onde comem dois, comem três.

Jesus ficou inquieto. Grávida? Como? Ela sempre exige camisinha. Só se rompeu...

Meses depois, Victor nasceu. Quando o menino já estava maior, a família foi à pracinha em frente à igreja Nossa Senhora do Trabalho. Enquanto Victor brincava no balanço, Heliana comentou:

Já notou que filhos de pais bem mais velhos que as mães são muito mais bonitos?

Jesus ficou desconcertado. Ela acha que nosso filho não é bonito?

Além disso, Heliana repetia como um mantra:

— Só as mães sabem de quem são os filhos. Os pais nunca têm certeza.

O comentário reverberava em sua mente, mas ele engolia tudo em silêncio. Muitos anos se passaram.

Então, seis anos após a separação, veio a ligação.

Alô, Jesus? Aqui é a Heliana. Escuta bem o que eu vou te falar: o Victor não é teu filho. O Victor é filho do teu pai!

O chão sumiu. Em segundos, sua mente revisitava todas as noites voltando bêbado, as manhãs evitando cruzar com o pai no quintal. Como uma sombra, ele sempre estava lá, capinando. Havia acabado de se aposentar da Marinha. Tinha cinquenta e poucos anos, nunca bebeu, nunca fumou, era bem jovem para a idade que tinha.

Agora fazia sentido. As risadas no ônibus. Os comentários de Heliana. Tudo.

O filho que ele tanto amava — o único homem entre as três meninas — não era seu. Era de seu pai.

Num instante, Jesus perdeu um filho e um pai. Pensou em matar o velho que tanto admirava, o pai que o inspirara com histórias de marinheiro e aventuras pelo mundo. Jesus também sonhara em ser marinheiro, mas Heliana engravidara antes que ele pudesse realizar esse sonho. Agora, tudo estava destruído.

Desesperado e chorando, vagou pelo centro de Florianópolis, pensando em tirar a própria vida ou acabar com a de Heliana e de seu pai. Foi quando, por acaso, entrou em uma farmácia homeopática. A farmacêutica, percebendo seu estado, pegou suas mãos e perguntou:

O que está acontecendo?

Chorando, Jesus desabafou todo o sofrimento. A mulher ouviu em silêncio. Quando ele terminou, ela disse:

Meu filho, esse peso não é teu. Solta ele agora. Esse peso é deles, do teu pai e da tua ex-mulher.

As palavras foram como um milagre. Jesus sentiu um alívio inesperado. Era verdade: aquele peso não era dele...



domingo, março 17, 2024

Gaudério

 

Foto arquivo Eloy Figueiredo 

Quando via um gaudério sem rumo,

pensava: por que andará assim,

perdido nesses pagos,

como um cusco sem dono?

Eles apeiam do baio,

procuram uma sombra tranquila,

amarram o cavalo e, só então,

se achegam ao bolicho.

Batendo na aba do chapéu, gritam:

"Ó de casa, posso me achegar?"

Essa é a senha do cheiro

do mate amargo que sentem no ar.

Queimados de sol,

com a pele seca como cobra

lagarteando nas manhãs,

falam pouco

quase sempre só para se apresentar:

"Sou de Palmeira das Missões,

mas toco boiada

pelas bandas do Uruguai."

Quando encontram uma chinoca

nos fandangos da vida,

uma coisa é certa:

não deixam que toquem suas cabeças.

Receiam sentir-se como um Pierrô abandonado,

abanando o rabo na solidão.

Vai, gaudério!

Foge do teu destino,

cavalgando nas noites de vento minuano,

sob um céu coberto de estrelas.

Se o destino chegar primeiro,

que ninguém saiba o que aconteceu,

nem por onde andou

este pobre desgarrado.



domingo, agosto 13, 2023

APAGAMENTO

Jesus me disse que acordou assustado, com uma dor de cabeça insuportável e louco de sede em um lugar horrível, escuro, iluminado por uma lâmpada muito fraca, esfumaçado e fedorento. Viu que havia outros homens, aparentemente mendigos, maltrapilhos e desgraçados. Aos poucos, percebeu que estava em uma cela de um presídio. Não conseguia compreender nada, tudo era confuso.


Ficou quieto em um canto, desejando loucamente um cigarro, mas não queria pedir. Supôs que os homens presos ali eram ladrões, assassinos, traficantes, ou que estavam ali pela lei Maria da Penha. Pela maneira que eles falavam entre si eram bandidos de longa data, acostumados com a ida e vinda no presídio, já que tinham tatuagens e trejeitos de quem já conhece o ambiente. Uns tinham o olhar frio, distante. Outros encaravam diretamente, sem expressão ou com um olhar de ódio. Tentou forçar a memória e lembrar porque havia sido preso. Lembrou que tudo tinha acontecido na sexta-feira pois recebeu seu salário semanal. Lembrou que foi pro bar e gastou todo seu dinheiro em cerveja. Ficou sentado ali no chão, no piso frio e sujo, próximo do que chamavam de 'boi'. Um cheiro insuportável dificultava o esforço mental para recordar o que tinha acontecido.

O sábado passou muito rápido. Nem viu o tempo passar. No domingo à tarde teve coragem para perguntar ao carcereiro se a esposa ou a sogra haviam deixado alguma carteira de cigarros ou qualquer outra coisa para ele. O carcereiro respondeu com uma expressão de nojo, cuspindo no chão:

"Cara, tu matou sua mulher e tua sogra, não lembra?"

Ficou em choque. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. 

Não lembrava de nada. O carcereiro explicou que havia sido preso por tê-las matado a facadas. Ele amava a esposa, ela era a pessoa mais perfeita, íntegra, honesta, trabalhadora... era loucamente apaixonado. A sogra era a bondade toda dentro dela. Uma mulher religiosa, caridosa que atendia todo mundo com muito carinho e tinha os acolhido em sua casa depois que ficou desempregado. 

Jesus não conseguia acreditar. Logo ele que nunca havia feito nada de errado na vida. Um homem bom, trabalhador, honesto, um marido e genro amoroso. Ele não conseguia entender como poderia ter feito algo tão terrível.

Foi levado para uma sala de interrogatório e foi interrogado pela polícia por horas. Ele tentava explicar que não lembrava de nada, mas eles não acreditaram. Os policiais disseram que estava mentindo, tentando encobrir seu crime hediondo. Foi levado para o tribunal e condenado à pena máxima por duplo homicídio, sem a possibilidade de liberdade condicional.

Ele agora está há 10 anos na prisão. Ainda não lembra de nada do que aconteceu naquela noite. Todos os dias ele quer desesperadamente descobrir a verdade. Quer saber se realmente matou a esposa e a sogra. Precisa saber se é um monstro.

quarta-feira, julho 13, 2022

AVANTE


Não te sinta vencido a nenhum vencido

Nem te sinta escravo de outro escravo.

Tremendo de pavor, sinta-se bravo e arremete  mesmo que ferido. 


Proceda como Deus que nunca chora ou como lúcifer que nunca reza. Ou como o Carvalho que com sua grandeza necessita de água mas não implora! 


Tenha a sagacidade de um prego enferrujado que mesmo velho e torto, volta a ser prego.


Não se acovarde como o pavão que encolhe sua penagem ao menor ruído.


Morda, grite, vocifere bravamente, mesmo rolando pelo chão sua cabeça! 


- um dia escutei, gravei e divido com vocês! 



terça-feira, janeiro 03, 2017

Revista Programa

Na imagem registrada pelo fotógrafo — um tradicional lambe-lambe do Chalé da Praça XV, em Porto Alegre — aparecem, da esquerda para a direita: Jorge Fischer Nunes, conhecido pelo provocativo livro o Riso dos Torturados; o ilustrador Paulo Carvalho, também chamado de Jaca; Flávia; João Carlos Bernardo, foi também empresário e dono da marca de biquínis Porta do Sol e Paulo Figueiredo,



Revista Programa: um marco do jornalismo de turismo nos anos 1970

Em 1978, a Editora Intermédio, dos jornalistas Políbio Braga, Ana Amélia Lemos e Ayres Cerutti, publicava a Revista Programa, no 3° andar da galeria chaves, considerada à época a melhor revista de turismo do Brasil. A publicação reunia uma equipe criativa e ousada, marcada por talentos que mais tarde ocupariam posições de destaque em diversas áreas da comunicação e da cultura.

Na imagem registrada pelo fotógrafo — um tradicional lambe-lambe do Chalé da Praça XV, em Porto Alegre — aparecem, da esquerda para a direita: Jorge Fischer Nunes, conhecido pelo provocativo livro o Riso dos Torturados; o ilustrador Paulo Carvalho, também chamado de Jaca; Flávia; João Carlos Bernardo, foi também empresário e dono da marca de biquínis Porta do Sol e Paulo Figueiredo, então editor e mais tarde um dos nomes à frente da Zero Hora; e Eloy Figueiredo, um dos integrantes da equipe.




segunda-feira, outubro 03, 2016

Hot Show

ELOY FIGUEIREDO e as máquinas 


Dupla Jornada.
Hot Show, minha loja na Rua Augusto Pestana, 54, em frente ao Pronto Socorro, entre duas funerárias na Avenida Venâncio Aires e Avenida Oswaldo Aranha, no Bom Fim, era um dos pontos mais badalados de Porto Alegre. O ano era 1985, o auge do bairro, onde tudo acontecia. Depois das dez da noite, quando eu ia até a loja para recolher a produção nas sextas, sábados e domingos, a rua ficava lotada de magrinhos e magrinhas do Bonfa – só gente bonita. As gurias, como diziam Kleiton e Kledir, "literalmente estavam tri a fim". Além das máquinas de fliperama, havia duas mesas de sinuca na parte de trás, onde rolavam campeonatos acirrados, com disputas por troféus!





Eloy Figueiredo / Baru Derkin

Sucursal de O Globo em Porto Alegre, 1980 

Baru Derkim, além de um grande repórter fotográfico, adorava desenhar.