sexta-feira, janeiro 20, 2017


CARTEIRA DE MOTORISTA.
Não quero, nem de longe, ter a pretensão de pensar que posso comparar o que sinto aos sentimentos de escritores ou compositores. Porém, assemelho-me numa característica dos mesmos, quando escrevem ou falam que precisam dar vida (e sentido) às historias que lhes chegam, prontinhas, esperando para serem compartilhadas. Elas precisam sair, elas pedem para serem colocadas pra fora, pulsam dentro da gente. Isto é o que sinto quando uma historinha chega pedindo para ser mostrada. Vou libertar esta, que já esta há algum tempo pedindo para que outra chegue em seu lugar!
A viagem aconteceu numa sexta-feira 13, em agosto de 1974 - sei o dia e ano, pois foi neste dia que eu tirei minha carteira de habilitação.
Uma das primeiras cidades catarinense que conheci trabalhando foi Joinville. Trabalhava numa edição pioneira de turismo da revista Programa fora de Porto Alegre. Neste ano eu já tinha carro, e dirigia já há alguns anos sem carteira de motorista. As repartições públicas nesta época davam até medo de entrar: eram cabide de empregos dos filhotes da ditadura militar - muito mais corruptos do que agora. Só tinha bandido e gente que só funcionava a base da corrupção. Negava-me a corromper os caras do DETRAN, reacionários, dedos-duros, a maioria bandidos. Não gostava de funcionário públicos, aquilo não cheirava bem.
Bueno, o diretor da revista, ficou sabendo que eu não tinha habilitação e comunicou que só seguiriam com quem estivesse com os documentos pessoais e do carro com tudo em cima. Eu tinha três dias para conseguir minha carteira. Fui pra Canoas onde era mais fácil. Fiz exames da legislação, paguei taxas e guias com tudo andando bem com os argumentos da viagem que eu tanto precisava ir. Imaginem só, a BR 101 neste ano... A maioria dos trechos era de paralelepípedos até Florianópolis, portanto tínhamos que ficar lá por no mínimo 1 mês.
Estava dando tudo certo até chegar a sexta-feira 13 de agosto de 1974. O exame agora era de direção e dentro do carro estava o fiscal de transito com cara de quem comeu e não gostou. “Parar na lomba, seta direita, esquerda, ok!”, anotou ele na papelada que trazia presa numa prancheta. Quando retornamos ao pátio do DETRAN para fazer a ultima prova, a baliza, notei que tinha um carro grande antes do meu (não lembro se era um Sinca ou um Aero, mas o meu era um Fuscão 1500 74 com surdina Kadrom e rodas de talas- largas, zero bala!). Entrei pela direita na baliza e derrubei. O Cara de Quem Comeu e Não Gostou anotou alguma coisa. Fiz a baliza pela esquerda e derrubei novamente. Desci do carro protestando por eles terem fechado a baliza um pouco mais, alegando que os automóveis da frente eram maiores do que o meu Fuscão. Sentenciou o Cara de Quem Comeu e Não Gostou: “Volta em quarenta e cinco dias para outra oportunidade”. E foi se encaminhando para um trailer onde senti que o pedido de grana se daria ali. Fui tentando mostrar a ele o quanto esta carteira era importante pra mim, pra minha mãe, minha esposa, meus filhinhos, o cachorro e tudo mais... Eu precisava da carteira pra já!
Chegamos no trailer. Ele pediu uma Pepsi e eu uma Brahma. Neste momento entra um menino de uns doze anos, engraxate. Ele senta na caixa, virado para o Cara de Quem Comeu e Não Gostou e oferece: “Uma escovadinha ai, moço?”. Ele colocou o pé para o menino escovar e eu aproveitei, tirei todo o dinheiro já separado para corrompê-lo e ofereci para o engraxate: “Te dou todo este dinheiro se tu convencer este fiscal a me dar a minha carteira!” Os olhos do menino brilharam e ele, já começando a chorar, implorou: “Dá a carteira pra ele moço, dá...” Neste momento, o Cara de Quem Comeu e Não Gostou deu a minha carteira! Dei o dinheiro para o engraxate que ficou a mil pelo Brasil e eu também. Acho que até o “cara” ficou emocionado!

terça-feira, janeiro 03, 2017

Revista Programa

Uma parte da equipe da editora Intermédio, em 1978. Da esquerda para direita, Jorge Fischer Nunes, o terrorista do "Riso dos Torturados", Paulo Carvalho (ilustrador Jaca), Flávia, João Carlos Bernardo, hoje dono da marca de biquinis "Porta do Sol", Paulo Figueiredo, meu irmão e ex. editor da Zero Hora e eu, Eloy Figueiredo. Foto Bay:  lambe lambe do chalé da praça xv

segunda-feira, outubro 03, 2016

Eloy Figueiredo / Hot Show

Dupla Jornada.
Hot Show, Rua Augusto Pestana 54 na frente do Pronto Socorro, entre duas funerárias no Bom Fim. O ano era 1987. A Rua, depois das dez da noite as sextas, sábados e domingos a rua ficava lotada de magrinhos  magrinhas do Bonfa, só gente bonita. Além das maquinas de Fliperama duas mesas de sinuca, lá atras.



Eloy Figueiredo / Baru Derkin

Sucursal de O Globo em Porto Alegre, 1980 

Baru Derkim, além de um grande repórter fotográfico, adorava desenhar.  

Eloy Figueiredo / Blenda Publicidade

 Clara Figueiredo, Jorá Machado Fernanda Cony e Eloy Figueiredo. 1974

sexta-feira, setembro 30, 2016

Ernesto Meyer Filho

Declaração emocionante do próprio punho sobre sua vida profissional de bancário.

Ernesto Meyer Filho

quinta-feira, setembro 29, 2016

Ernesto Meyer Filho

Meus últimos chopes com steinheëger no box 32, acompanhado por esta ilustríssima figura,
Ernesto Meyer Filho


Ernesto Meyer Filho. By Eloy Figueiredo.

domingo, setembro 18, 2016

Editora Intermédio - Revista Programa

Editora Intermédio, revista Programa. Galeria Chaves Barcelos. Porto Alegre RS
Só os que lembro: Paulo Figueiredo, Jorge Fischer Nunes, Jaca ilustrador, Políbio, Acácio, Ayres Cerutti, Carlos Bernardo e Eloy Figueiredo.

domingo, fevereiro 14, 2016

Espaço Tempo

Espaço Tempo

Logomarca criada pelo meu amigo Jaca 
1992
SOU:


ex-comunista, ex-brizolista, ex-publicitário,  ex-jornalista, ex-vendedor de ideias, tempo e espaço, casado três vezes, oito filhos, ex-louco três internações, tomei eletrochoque, fui amarrado, dopado, tive delírio, alcoólatra em recuperação, quase matei, quase morri, fui preso em delegacias, perseguido e ameaçado pelo Dops, quase morri afogado atrás da Usina do Gasômetro, fumei "baseado" da Nega-Diabo, passei uma noite ouvindo o Raul Seixas contar historias em Santa Rosa-RS, fui chamada de colega pelo Mário Quintana, jantei com o Luís Carlos Prestes, fui amigo do Dr. Brizola, participei dos movimentos de 1961 como testemunha e de 1964/68 como militante do movimento, trabalhei e vi em ação os jornalistas Paulo Gerson Antunes de Oliveira, Tito Tajes, Adauto Vasconcelos, Setembrino Machado, Enio Staub, Gabriel Vieira Mathias, Zulian, Ana Amélia Lêmos, Políbio Braga, André Jockyman, Sérgio Jockyman, Eduardo Tavares, Baru Derkim, Santinho, Sérgio da Silva Quintana, Jacá, Quaresma, Luiz Fernando Veríssimo, Gerson Schirmer, Roberto Marinho, Condessa Carneiro Pereira, Jorge Fischer, Acari Amorim, Olivio Lamas, Zuba Coutinho, Marco Cezar etc... Com os publicitários Jorá Machado, Carlos Paim, Antônio Mafuz, Daltro, Ariel, Laerte Martins, Franchini, Ciro Martins e outros tantos que agora não estou lembrando seus nomes, só suas imagens, participei ativamente dos movimentos culturais e políticos da década de 70/80 em POA. Freqüentei o largo dos Medeiros, o Tuín, o Chalé da Praça XV, comi muito mocotó do Pelotense, a tainha do Restaurante da dona Maria, a churrascaria Quero-Quero, o Naval no mercado, o inicio do barranco na Prótasio Alves, o Scaler no bom fim, aonde tive uma loja de fliperama e snooker, a Hot-Show, que a gurizada aproveitava para vender parangueria e papelaria. Bati bola com o Falcão e o Batista, conheci o Pelotinha e o Bataclã no Alto da Bronze, jantei escutando o Lupicínio cantar, conheci a Elis no Iapi, fui da turma da Malcon, dancei no Dinamite, na casa de tango Mano à Mano, a Gruta-azul na farrapos. Gosto de rico, pobre e chinelão, veado, travesti e sapatão, japonês, alemão, judeu, árabe e negão, só não gosto de burgueses não! E como dizia Cazuza: "A burguesia fede"! Então, não vou nem numerar governadores, prefeitos, empresários, políticos, banqueiros ladrões. 

terça-feira, outubro 13, 2015

O Globo

Eloy Figueiredo e José Figueiredo

Eloy Figueiredo 
sucursal de Porto Alegre de O Globo

Eloy Figueiredo
André Jockmann na primeira Fenachamp

Eloy Figueiredo
O Globo